
As comparações entre Barack Obama e o presidente Franklin Delano Roosevelt (1933-1945) não se limitam ao enfrentamento de monstruosas crises econômicas, embora essa seja sem dúvida a face mais visível da moeda.
Embora muitos analistas considerem que as relações entre os Estados Unidos e a América Latina pouco irá mudar no novo governo, a retórica no momento parece diferente. Na véspera da posse, Obama declarou seu desejo de "abrir uma nova página, um novo capítulo" nas relações com a região. Ea nova Secretária de Estado, Hillary Clinton, falou em "laços diplomáticos mais dinâmicos". É claro que o interesse principal gira em torno das questões energéticas e de segurança, mas não podemos deixar de lembrar que nessas horas a cultura sempre funciona como "arma amigável" de aproximação.
No primeiro capítulo de América Aracnídea defendo como Getúlio replicou a seu modo a "política da boa vizinhança" ditada pelos Estados Unidos à relação entre o Brasil e os demais países do continente. O suplemento cultural Pensamento da América foi um dos veículos utilizados.
Hoje temos uma situação de igual desconhecimento mútuo, agravada pela montanha de clichês herdados de tempos passados (ver o post anterior). Talvez seja o momento de se empreender novos canais de trocas e conhecimentos culturais, estimulados por essa nova onda de renovação das relações entre o norte e o sul.
Como bem disse o Embaixador Afonso Arinos, na rede Globonews na ocasião da posse do presidente norte-americano, é bom que haja uma "negligência benígna" do governo dos Estados Unidos em relação à região, afinal, a história já nos mostrou como um interesse exacerbado pode terminar mal... mas seria bom que esse novo momento da história estimulasse em todo o continente o fortalecimento dos "fios de través", que estiveram em voga nos anos 40.
Não mais por questões meramente políticas, como foi na época, ou ideológicas. Mas sim por questões econômicas e de desenvolvimento. Só poderemos reconhecer nossa força se primeiro nos conhecermos melhor, porque ninguém quer nem gosta daquilo que desconhece. Getúlio e Roosevelt sabiam disso muito bem.





